Gilberto Costa, Agência Brasil
“Pesquisa divulgada hoje (29) pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base em dados de 1995 a 2011 demonstra que os
investimentos do governo federal, dos estados e dos municípios são
influenciados pelo calendário eleitoral. Em ano de pleito há aumento de gastos
públicos e no ano seguinte há contenção das despesas.
“Os anos subsequentes às eleições
presidenciais e dos governadores estaduais normalmente coincidem com quedas
muito fortes da taxa de investimento público, relacionadas a programas de
ajustes fiscais, que posteriormente são revertidas no decorrer do ciclo
eleitoral”, descreve o comunicado do instituto.
No caso dos municípios, além da eleição
estadual e federal, ainda há a influência das eleições para prefeitos e
vereadores, o que acarreta em um ciclo bienal de expansão e contingenciamento
de gastos. “A taxa de investimento do governo municipal, por sua vez, apresenta
um comportamento muito mais irregular e uma influência mais marcada do ciclo
bienal”, aponta o Ipea ao salientar que “os anos não eleitorais (ímpares) são
caracterizados por quedas (ou estabilidade) da taxa de investimento dos
municípios, enquanto os anos eleitorais (pares) ocorrem elevações da taxa de
investimento”.
Segundo o Ipea, em dezembro de 1998 (ano da
reeleição de Fernando Henrique Cardoso), a taxa anualizada de investimento das
administrações públicas era de 2,4% do PIB (proporção relativa a valores
acumulados ao longo do ano), no ano seguinte cai para cerca de 1,5%. Em 2002
(ano da primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva), a taxa chega a 2,2% e
em 2003 desce para 1,5%. Em 2006 (reeleição de Lula), a taxa cravou 2% e em
2007 ficou abaixo de 1,8%. No ano passado, a mesma taxa superou os 2,8% e a projeção
do Ipea para este ano é de que esteja abaixo de 2,5%.”
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