Caso a gente sobreviva

Carolina Mendes, Revista Bula

“Foi proposto que eu escrevesse uma carta retrospectiva do ano de 2011, visceral e melenta, porque é fim de ano e vem Natal e normalmente o balanço anual nos leva às lágrimas, felizes ou pesarosas.  O plano era me aproveitar desse momento sensível geral e melancolizar. Sucesso de tweets, retweets e curtição no Facebook. Sem mencionar os comentários por aqui... Mas seria falso e por enquanto, por aqui, consegui ser verdadeira. Ou superficialmente honesta. 

Devo confessar, que muito embora as resoluções para 2011 não tenham se cumprido, este fica como um dos melhores anos da minha vida. Das melhores trepadas, dos novos e provavelmente eternos amigos, da mudança profissional. Do triunfo do tempo que cura, sobre a pressa que fere. Da pressa que atropela, sobre o medo que paralisa. 
Do sentar e fumar um Marlboro no meio da madrugada para pensar. De escrever um SMS ou um e-mail cruelmente desnecessário (normalmente mais cruéis comigo que escrevo do que com quem recebe). Ou humilhantemente apelativo. E não escrever a maioria deles.  

Uma vitória ou um alívio. Ser uma escritora menos dramática e mais calada.  Exceto quando tudo transborda e a página em branco se enche de caracteres e meu micro universo de leitores se enche de olhos que provavelmente sangram por mais tempo do que eu.   
Menos drama, muito menos drama. Naveguei águas menos turbulentas em 2011. Algumas tempestades, todas importantes para aprimorar minhas habilidades marinheiras. 

Jack, nem sempre o melhor conselheiro. Quase sempre o melhor companheiro.  Dizem do culto ao álcool que a minha balzaca geração alimenta: sintomático. Talvez. Ou não. Jack talvez seja um resquício boêmio romântico dos nossos heróis, ou pura safadeza. Ou anestésico. Ou a forma que a gente tenha encontrado de encardir essa nossa existência contemporaneamente asséptica.”
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