Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania
“Surgiu um discurso sobre as denúncias
contra o ministro Orlando Silva e o PC do B que mostra que esse caso, além de
só ter distribuído prejuízos, fez isso com uma justiça verdadeiramente poética.
É o discurso de setor da sociedade acusado de “isentismo”, ou seja, de não se
comprometer com lado algum. Não ficando em cima do muro, mas erguendo o muro.
É muito simples: a mídia, de fato, faz
denúncias seletivas só contra o governo Dilma e, mais objetivamente, contra o
ministério do Esporte, mas só faz isso porque esse ministério deixa “rabo” por
ter sido “aparelhado” pelo PC do B, que, segundo essa visão, estaria fazendo
alguma coisa que os outros partidos não fazem ou que, por ser o PC do B, não
teria “direito” de fazer.
Quando ouvi hoje de uma das pessoas mais
sóbrias, inteligentes e honestas que conheço certa afirmação sobre esse caso,
fiquei assustado. Na verdade, fiquei assustado depois que essa pessoa me disse
que, claro, evidente, a mídia estava querendo, sim, acuar o governo e adquirir
o poder de governar, mas que, também, o PC do B, de fato, teria “aparelhado” o
Ministério do Esporte.
Quando perguntei em que se baseava a
afirmação, a resposta foi de que reportagem do Fantástico teria mostrado
“claramente” que estava sendo entregue dinheiro do ministério do Esporte a ONG
de militante do PC do B, o que, apesar de legal, seria “imoral”. Daí quis saber
como se pode inferir, daquela reportagem, que há uma legião de ONGs desse partido
mamando no ministério do Esporte como ONGs de nenhum outro partido fazem
em outros ministérios.
A pessoa, alguém muitíssimo bem informado,
não soube informar. Disse-me, apenas, que estaria “clara” a existência de uma
legião de ONGs do PC do B que seria toda fornida com dinheiro do ministério que
o partido comanda há tanto tempo.
Então perguntei se isso não ocorreria em
outros ministérios. Resposta: claro que ocorre porque o problema é
“estrutural”, ou seja, o sistema que rege as relações do Estado com o Terceiro
Setor propiciaria abusos. E o fato de a mídia só fiscalizar um lado não
reduziria a “culpa” do lado que está sendo acusado.
A teoria é a seguinte: já que não dá para
pegar os dois lados porque, por exemplo, pedidos de CPIs sobre a relação do
governo de São Paulo com o Terceiro Setor dormitam na Assembléia Legislativa do
Estado e continuarão ali pois a mídia não irá nunca fazer a mesma (ou qualquer)
pressão sobre o PSDB , que se puna um lado só.
É aquela história da utopia possível. Já
que não dá para fazer o necessário, que se faça o que dá para fazer até que, em
algum dia incerto de um futuro distante, seja possível pegar os dois lados.
Aí pergunto à pessoa se fazer com que um
lado só seja punido enquanto o outro fica livre não fará com que esses que têm
licença para corromper ou ser corrompidos voltem ao poder e, aí, a corrupção
estará institucionalizada, porque, então, como acontece aqui em São Paulo não haverá
mais fiscalização do governo federal, mas, sim, aquela imprensa elogiosa,
baba-ovo e chapa-branca da época de FHC.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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