Rolf Kuntz, Observatório da Imprensa
"O novo governo conseguiu, já na primeira semana, ocupar o noticiário com iniciativas de peso. Não perdeu tempo esquentando o motor e consultando mapas. O principal entrave foi a briga entre o PT e seu maior aliado, o PMDB, por lugares no segundo escalão. Estavam em jogo 600 postos importantes em 102 estatais do setor produtivo e da área financeira, segundo informou no domingo (9/1) o Estado de S.Paulo.
A primeira iniciativa importante foi o bloqueio da maior parte do orçamento. Seria inevitável porque a lei orçamentária ainda não havia sido sancionada. Mas houve uma surpresa: os ministérios foram autorizados a gastar apenas R$ 2,9 milhões por mês até a sanção. Isso corresponde a 1/18 da verba prevista para o ano, em vez da parcela de 1/12 prevista em lei. Algum aperto era previsto, mas o bloqueio mais duro que o esperado talvez tivesse valido um destaque maior. No Estadão, a matéria apareceu na página 4, ocupando cinco colunas abaixo da dobra. No Globo, saiu na página 3, pouco acima da dobra, mas em uma coluna. Em outros jornais, a novidade foi menos valorizada.
No mesmo dia, sexta-feira (7/1), o noticiário econômico foi dominando pela decisão do Banco Central (BC) de impor um freio mais forte à valorização do real (ou, visto do outro lado, à depreciação do dólar). O lance foi anunciado de manhã pelo diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, horas antes da primeira entrevista coletiva do novo presidente da instituição, Alexandre Tombini. Também o BC, sob nova direção, começou o ano a todo vapor.
Os jornais fizeram um bom esforço para traduzir a expressão "posição vendida" e para explicar a aposta dos bancos na valorização da moeda brasileira. O Estadão e a Folha de S.Paulo usaram gráficos para descrever o jogo. Detalhe curioso: várias decisões econômicas do Executivo têm saído nos cadernos de Política; as ações do BC, incluída nova intervenção na área cambial, têm aparecido nos cadernos de Economia.”
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