Urariano Mota, direto da Redação
“Para comentar a entrevista de José Serra ao apresentador José Datena, melhor seria narrar o gênero de instigadores de violência em programas policiais na tevê. Para os limites desta coluna, falemos então do estilo desse indivíduo alto, gordo, cheio de certezas da classe média, mais conhecido por José Luiz Datena. Corajoso por roteiro, o que vale dizer, fanfarrão o tempo todo, Datena fala alto, grosso, raro deixa o entrevistado falar. O diabo é que, nesse particular, ele sofre do estrelismo de quase todos entrevistadores da televisão, que sempre sabem mais que o entrevistado. Jamais compreenderão que o brilho é da entrevista.
Mas vamos ao que interessa.
O estilo Datena de apresentação do programa na tevê é o velhíssimo estilo de programas policiais: ele transforma todo público em cães raivosos. “Ah se eu te pego”, é conduzido a dizer para si o mais pacato telespectador. Datena usa ao limite do abuso o recurso da narração nas imagens. Ele faz ver o que os olhos não veem. Se me entendem, ele põe molduras, percepções arbitrárias nas pessoas, ora pessoas!, nos bandidos. Se o miserável sorri, ele pontua: “olha o cinismo dele, olha a frieza do marginal”. Mas se o miserável chora, “esse cara num tá chorando, é tudo mentira, é um canalha”. Datena transforma pessoas em feras, tanto as do lado de lá da tela, quanto as do lado de cá, que o veem. Datena detona. No seu comum, o apresentador, com o à vontade dos ignorantes, exibe "reportagens" que, não bastassem a violência dos crimes, são envenenadas por ele, que insinua, induz e leva todos à conclusão, “bandido tem que ser morto”.
A entrevista, maneira de dizer, a encenação que ele fez com José Serra, possuiu características de espetáculo armado, de roteiro aprovado antes pelo candidato. Em uma hora de programa, em um só momento o candidato não foi questionado sobre o desastre da educação em São Paulo, a saber, livros pornográficos adotados, falseamento de índices de aproveitamento escolar, professores tratados a porradas, assinaturas de revistas e jornais dos grupos amigos... mas aí já era querer demais. O apresentador, de perfil sumô, preferiu ficar leve no bate e rebate do vôlei: levantava a bola, Serra cortava, simulavam desacordo, para melhor enganar o adversário. E a bola rolava na dupla José Serra e José Datena.”
Artigo Completo, ::Aqui::
“Para comentar a entrevista de José Serra ao apresentador José Datena, melhor seria narrar o gênero de instigadores de violência em programas policiais na tevê. Para os limites desta coluna, falemos então do estilo desse indivíduo alto, gordo, cheio de certezas da classe média, mais conhecido por José Luiz Datena. Corajoso por roteiro, o que vale dizer, fanfarrão o tempo todo, Datena fala alto, grosso, raro deixa o entrevistado falar. O diabo é que, nesse particular, ele sofre do estrelismo de quase todos entrevistadores da televisão, que sempre sabem mais que o entrevistado. Jamais compreenderão que o brilho é da entrevista.
Mas vamos ao que interessa.
O estilo Datena de apresentação do programa na tevê é o velhíssimo estilo de programas policiais: ele transforma todo público em cães raivosos. “Ah se eu te pego”, é conduzido a dizer para si o mais pacato telespectador. Datena usa ao limite do abuso o recurso da narração nas imagens. Ele faz ver o que os olhos não veem. Se me entendem, ele põe molduras, percepções arbitrárias nas pessoas, ora pessoas!, nos bandidos. Se o miserável sorri, ele pontua: “olha o cinismo dele, olha a frieza do marginal”. Mas se o miserável chora, “esse cara num tá chorando, é tudo mentira, é um canalha”. Datena transforma pessoas em feras, tanto as do lado de lá da tela, quanto as do lado de cá, que o veem. Datena detona. No seu comum, o apresentador, com o à vontade dos ignorantes, exibe "reportagens" que, não bastassem a violência dos crimes, são envenenadas por ele, que insinua, induz e leva todos à conclusão, “bandido tem que ser morto”.
A entrevista, maneira de dizer, a encenação que ele fez com José Serra, possuiu características de espetáculo armado, de roteiro aprovado antes pelo candidato. Em uma hora de programa, em um só momento o candidato não foi questionado sobre o desastre da educação em São Paulo, a saber, livros pornográficos adotados, falseamento de índices de aproveitamento escolar, professores tratados a porradas, assinaturas de revistas e jornais dos grupos amigos... mas aí já era querer demais. O apresentador, de perfil sumô, preferiu ficar leve no bate e rebate do vôlei: levantava a bola, Serra cortava, simulavam desacordo, para melhor enganar o adversário. E a bola rolava na dupla José Serra e José Datena.”
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