Leonencio Nossa, O Estado de São Paulo
"O empenho da jornalista e pesquisadora Myrian Luiz Alves em reconhecer as ossadas de guerrilheiros retiradas do Araguaia e esquecidas nos armários da burocracia de Brasília sensibilizou até durões oficiais da reserva que combateram os comunistas, nos anos 1970, na floresta amazônica. Militares perceberam, aos poucos, que a pesquisadora paulistana ligada ao PT desafiava até setores intocáveis da chamada área de direitos humanos, para entregar os corpos às famílias.
Sempre escondida em assessorias parlamentares, ela faz barulho nos bastidores políticos para identificar uma dezena de corpos guardados há anos em caixas no Ministério da Justiça. Myrian já assessorou figuras petistas, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuou na CPI de Perus, na Assembleia de São Paulo, sobre desaparecidos políticos, e participou de trabalhos no Congresso sobre a Guerrilha do Araguaia.
Na semana passada, ela conseguiu uma vitória na guerra que travava para identificar os restos mortais do guerrilheiro cearense Bergson Gurjão Farias, finalmente reconhecido em meio à nova onda de pressões da opinião pública pela abertura dos arquivos e identificação de ossadas. Parte do que ganha como assessora de um deputado, Myrian gasta em viagens pelos grotões.
A pesquisadora defende a atual expedição do Ministério da Defesa de busca no Araguaia e diz que parte dos críticos do trabalho de cumprimento de uma sentença judicial não tem legitimidade para falar em nome da memória da guerrilha. "Usurparam uma história alheia", afirma.
Por que se leva tanto tempo no Brasil para identificar as ossadas de guerrilheiros?
Não creio ser culpa do Brasil. Entre 1991 e 1992, guerrilheiros urbanos foram identificados sem problema ou demora inconsequente. Todos por antropologia ou antropometria. A demora na identificação da guerrilheira do Araguaia, Maria Lucia Petit, resgatada em 1991 e identificada em 1996, não ocorreu por causa dos métodos adotados ou do País. É uma história - a da demora na identificação - que ainda terá de ser contada, ou devidamente esclarecida, como a de Bergson, agora identificado. Os dois estavam sepultados lado a lado, como mostra fotografia de sepulturas tirada em 1980. Identificações e acondicionamento de restos mortais de seres humanos deveriam estar sob responsabilidade de laboratórios adequados e de cientistas. Não podem ser cuidados por leigos ou arquivados em armário de escritório, em dependências de comissões. Não é possível, segundo o Código Penal, considerar correto esse procedimento. Isso não tem a ver com o Brasil e sim com brasileiros irresponsáveis e negligentes.
A identificação de corpos agora foi facilitada pela tecnologia?
Essa versão agora contada não convence. Pelo menos não em relação ao Bergson. A partir do histórico de seu sepultamento e exumação, análise de seu esqueleto, suas características físicas, entre outras constatações, médicos legistas ou não legistas consultados ao longo dos anos por essa pesquisa ficavam admirados com a falta de procedimentos. Foram muitas as denúncias publicadas pela imprensa. A desculpa era sempre mais uma mentira. Como a de agora, que vem a público dizer que dependeu de renovação tecnológica. Uma irresponsabilidade e uma ofensa à história, à ciência e à sociedade brasileira, que não é uma república de bananas como pretendem nos fazer crer utilizando trajetórias de pessoas que viveram uma guerra, a única que de fato existiu no País na década de 1970. Com envolvimento em campo de cidadãos de um perímetro gigante do País, com generais, coronéis das três Forças e com guerrilheiros que, pouco antes de abril de 1972, possuíam nome - em sua boa parte verdadeiros - e endereços na região.
Há uma indústria de desaparecidos?
Não há desaparecidos, como diz a juíza Solange Salgado. Mortos não andam. Há histórias ainda não apuradas adequadamente. Em nome dos que morreram, algumas pessoas puseram-se em seu lugar. Usurparam a história alheia e vivem politicamente disso. Resolver o problema traz ameaça à sua existência política atual.”
Entrevista completa, ::Aqui::
Eterno e infinito. Até que acabe!
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Daniel Tame, Pátria Latina
“Os olhos do planeta Terra, essa bolinha perdida na complexidade do Universo
composto de galáxias, constelações e sistemas solar...












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