Nada será como antes

Mair Pena Neto, Direto da Redação

“Não é possível antecipar o que vai acontecer quando o presidente Manuel Zelaya colocar novamente os pés em Tegucigalpa, mas o golpe de Estado em Honduras é, desde já, um ponto de inflexão na triste história de conspirações na América Latina. Ao contrário do que ocorreu durante todo o século 20, o presidente democraticamente eleito foi amparado por toda a comunidade internacional, com a condenação ao golpe unindo no mesmo discurso o líder cubano Fidel Castro e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

O apoio que faltou a Hugo Chávez na fracassada tentativa de golpe civil-militar na Venezuela, em 2002, foi unânime em relação a Zelaya, acusado pela forças conservadoras hondurenhas de se aproximar demais do presidente venezuelano. Nenhum argumento levantado pela oposição, pelos militares e pela Corte Suprema hondurenha justificava o golpe de Estado contra o presidente legítimo, que foi seqüestrado na residência presidencial e colocado, ainda de pijamas, num avião para Costa Rica.

Desta vez, nem a mídia titubeou em classificar o episódio como golpe de Estado e atentado contra a democracia no continente. Zelaya denunciou a situação, que atravessou as fronteiras das Américas, levando a Assembléia Geral da ONU a exigir o seu retorno incondicional ao poder.”
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