“O golpe de estado em Honduras é uma advertência que não se pode ignorar nem minimizar, considerando-o como um fato isolado ocorrido num país pequeno e pobre. A advertência é da jornalista Frida Modak, que foi secretária de Imprensa do presidente chileno Salvador Allende. No referendo que iria ocorrer no dia do golpe nem sequer existia um projeto que considerasse a reeleição presidencial nem nenhuma outra matéria relativa ao tema. O problema, diz Modak, é querer mudar Constituições autoritárias.
Frida Modak, ALAI-AmLatina
O golpe se deu em Honduras, mas afeta a toda a América Latina e o Caribe, porque nos está indicando que esse passado omnioso não ficou bem sepultado e que a ousadia de nos declarar-nos independentes e soberanos não é perdoada. Não se pode tirar outra conclusão dos acontecimentos hondurenhos, onde o golpe militar foi a resposta ao propósito de fazer desse país uma nação mais justa, onde os setores populares tivessem voz.
Nossos povos, ainda que com democracias imperfeitas, injustiças e desigualdades, têm estreitado suas relações, têm consciência de seus direitos e os defendem. Também defendem suas terras e as riquezas que elas contém. Frente a quem quer fechar-lhes o caminho estão os que o impulsionam a seguir adiante. Há governos que recuperam recursos naturais e outros que os entregam. Porém, no meio das diferenças se tem encontrado importantes coincidências e nesse contexto o golpe em Honduras se converte num perigo generalizado.
Assim o entenderam a América Latina e o Caribe, que reagiram de maneira imediata, unitária e firme, através de todos os organismos de integração criados. Também o entenderam os países desenvolvidos da Europa que, através da União Européia assinalaram, com a assinatura dos 27 chanceleres, que a derrubada do presidente Zelaya era uma violação inaceitável da ordem constitucional em Honduras e exigiram o retorno à normalidade democrática.”
Tradução: Katarina Peixoto / Carta Maior
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