Pablo Calvi, Terra Magazine
“Na véspera da chegada das delegações da OEA a Tegucigalpa e enquanto conversa com o Departamento de Estados dos Estados Unidos, o embaixador de Honduras em Washington afirma: "O cenário é muito complicado".
A tensão aumenta e o prazo dado ao governo interino de Roberto Micheletti está acabando. Faltam poucas horas para o começo das sanções que a Organização dos Estados Americanos anunciou que tomaria caso o presidente Manuel Zelaya não fosse restituído nas suas funções nas primeiras horas deste sábado.
Na quinta-feira pela manhã, o Secretário Geral da OEA, Miguel Insulza, afirmou durante uma entrevista coletiva no Panamá, onde está desde ontem acompanhando a Zelaya, que no sábado a organização "não negociará" com o governo interino quando aterrizar em Tegucigalpa junto com vários líderes e diplomáticos da América Latina. "Primeiro queremos ver o presidente Zelaya voltar em plena segurança ao seu país para retomar as suas funções, depois podemos sentar e conversar sobre as diferenças internas", acrescentou.
Nas últimas horas, Zelaya destituiu dois dos seus embaixadores, o da Bélgica e o dos Estados Unidos. "Isto não é um golpe de estado, é um processo que está cumprindo uma ordem judicial", disse antes da sua partida para Tegucigalpa, o ex-embaixador de Honduras em Washington, Roberto Flores Bermúdez.
Após o anúncio da saída de Bermúdez, o Terra Magazine conseguiu conversar com Rodolfo Pastor, embaixador interino do governo de Zelaya em Washington, sobre como serão as próximas horas de negociações e quanto foi avançado graças a intervenção da ONU, da OEA e do governo dos Estados Unidos.
Terra Magazine - A representação do governo eleito de Honduras nos Estados Unidos foi enfraquecida pela saída de Flores Bermúdez?
Rodolfo Pastor - Não, de nenhuma forma. Continuamos tendo um embaixador nas Nações Unidas, Jorge Arturo Reina, temos um embaixador na OEA e eu fiquei responsável interinamente pela representação diplomática do governo do presidente Zelaya nos Estados Unidos.
O senhor acredita que houve uma resposta positiva do governo interino ao ultimato da OEA em cessar as hostilidades e permitir a volta de Manuel Zelaya à presidência?
Em minha opinião o cenário continua muito complexo. Temos um governo em Honduras que foi constituído de uma forma considerada ilegítima pela comunidade institucional. Além disso, existe um apoio contundente e bastante unânime da esfera internacional em todos os organismos internacionais e também por parte dos diferentes países que os compõem, além do governo dos Estados Unidos, com relação ao governo no presidente Zelaya. Todos esses países e esses organismos tomaram sérias medidas de repúdio ao golpe dado ao presidente legítimo e reivindicam a sua restituição imediata. E não é só isso, agora também não reconhecem o governo de Micheletti. Uma série de instituições financeiras internacionais começou a retirar de Honduras os seus representantes e congelaram os fundos que enviam ao país, já os países centro-americanos fecharam as fronteiras, chamaram de volta os seus embaixadores e paralisaram o comércio. Existe, basicamente, uma pressão internacional bastante importante que está enviado uma mensagem ao governo de fato de Honduras para que reinstale a ordem constitucional. Isso fez com que o governo de Micheletti declarasse estado de emergência, o qual gerou uma série de manifestações da sociedade civil interna em apoio ao presidente Zelaya, essas pessoas têm sido sistematicamente reprimidas e feridas desde o início do golpe. Isso, claro, está desencadeando a falência do regime de fato.”
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1 Comentários:
Afinal, a quem interessa este golpe de HOnduras, saído, assim, do nada? Antigamente os eua promoviam os golpes para colocar seus capangas no lugar dos governos legitimamente eleitos. Hoje, será que alguém resolveu simular um a fim de justificar a intervenção? Será? Ou é pura teoria da conspiração?
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