Mauro Santayana, JB Online
“Quando duas grandes nações, sobretudo se são historicamente rivais, se entendem, alguém paga pela paz. Assim tem ocorrido sempre na História. Os pactos se fazem contra terceiros. Entre tantos exemplos, podemos ficar com um dos mais recentes, em termos históricos: o da capitulação da França de Daladier e da Inglaterra de Chamberlain, sob a iniciativa da Itália de Mussolini, ante as exigências de Hitler sobre o território dos sudetos. Quem pagou pelo Acordo de Munique, firmado na madrugada de 30 de setembro de 1938, foram os tchecos. Hitler, depois de anexar a Áustria, fez ultimato a Praga, para que lhe fosse entregue a soberania sobre o território ocidental do país. Os tchecos resistiram, confiados nos acordos de solidariedade que tinham com a Inglaterra e a França, mas franceses e ingleses os abandonaram. Hitler, autorizado por Paris e Londres, ocupou o país nas primeiras horas do dia seguinte. O escritor Karel Capek, acometido de infecção pulmonar, deixou, no mesmo dia, de medicar-se, como protesto, e morreu no Natal seguinte. Poucos meses mais tarde, a Tcheco-Eslováquia se tornava "protetorado" do Reich. Seu presidente, Hácha, sob a ameaça de que as principais cidades do país seriam arrasadas, rendeu-se à força, assinando o "pedido" ao Reich, para que "protegesse" o seu povo.
Terça-feira se reúnem, em Moscou, os presidentes Barack Obama e Medvedev. Vão iniciar novas negociações para a redução recíproca de armas nucleares (diminuir o supérfluo, e manter, nos dois lados, bombas suficientes para aniquilar a Terra e a Lua). É claro que haverá concessões de lado a lado. Os russos querem acabar com o chamado escudo protetor antibalístico, que os americanos pretendem instalar na Polônia e na Tcheco-Eslováquia. Como não são parvos, sabem que a iniciativa, de Bush, nada tem de defensiva, e constitui ameaça a queima-roupa contra seu povo. Como prova de boa vontade, conforme informava a imprensa no fim de semana, estão dispostos a abrir caminho em seu território, a fim de que os norte-americanos possam, com mais segurança, abastecer a sua frente no Afeganistão com equipamentos e homens.”
Artigo Completo, ::Aqui::
“Quando duas grandes nações, sobretudo se são historicamente rivais, se entendem, alguém paga pela paz. Assim tem ocorrido sempre na História. Os pactos se fazem contra terceiros. Entre tantos exemplos, podemos ficar com um dos mais recentes, em termos históricos: o da capitulação da França de Daladier e da Inglaterra de Chamberlain, sob a iniciativa da Itália de Mussolini, ante as exigências de Hitler sobre o território dos sudetos. Quem pagou pelo Acordo de Munique, firmado na madrugada de 30 de setembro de 1938, foram os tchecos. Hitler, depois de anexar a Áustria, fez ultimato a Praga, para que lhe fosse entregue a soberania sobre o território ocidental do país. Os tchecos resistiram, confiados nos acordos de solidariedade que tinham com a Inglaterra e a França, mas franceses e ingleses os abandonaram. Hitler, autorizado por Paris e Londres, ocupou o país nas primeiras horas do dia seguinte. O escritor Karel Capek, acometido de infecção pulmonar, deixou, no mesmo dia, de medicar-se, como protesto, e morreu no Natal seguinte. Poucos meses mais tarde, a Tcheco-Eslováquia se tornava "protetorado" do Reich. Seu presidente, Hácha, sob a ameaça de que as principais cidades do país seriam arrasadas, rendeu-se à força, assinando o "pedido" ao Reich, para que "protegesse" o seu povo.
Terça-feira se reúnem, em Moscou, os presidentes Barack Obama e Medvedev. Vão iniciar novas negociações para a redução recíproca de armas nucleares (diminuir o supérfluo, e manter, nos dois lados, bombas suficientes para aniquilar a Terra e a Lua). É claro que haverá concessões de lado a lado. Os russos querem acabar com o chamado escudo protetor antibalístico, que os americanos pretendem instalar na Polônia e na Tcheco-Eslováquia. Como não são parvos, sabem que a iniciativa, de Bush, nada tem de defensiva, e constitui ameaça a queima-roupa contra seu povo. Como prova de boa vontade, conforme informava a imprensa no fim de semana, estão dispostos a abrir caminho em seu território, a fim de que os norte-americanos possam, com mais segurança, abastecer a sua frente no Afeganistão com equipamentos e homens.”
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