Coisas da Política - Muito espetáculo, poucos resultados

Mauro Santayana, JB Online

“Reúne-se, em Áquila, o grupo dos países mais ricos do mundo. Ao comentar o encontro, o New York Times, em seu editorial, faz o retrato lamentável desse grupo que se arroga o direito de liderar o planeta. Começa com o anfitrião, Berlusconi, enroscado em seus casos com garotas de programa. O jornal resume sua atuação: Showmanship: perhaps. Leadership: no. Em seguida mostra – com a natural exclusão de Obama – como se encontram os outros, atônitos diante da crise econômica ainda não domada, das ameaças da pandemia, cuja evolução ninguém pode prever, ou das denúncias de corrupção, como o governo Brown, herdeiro dos desacertos de Blair; Ângela Merkel, esforçando-se na tentativa de salvar a maior economia da Europa; Medvedev sob a sombra de Putin; Sarkozy, sem agenda internacional coerente; e Taro Aso, impopular no Japão. Nem a China se salva: Hu Jintao não participa do encontro, que deve durar até amanhã: está agindo com mão de ferro para conter o conflito étnico em Xinjiang.

O mundo não sabe para onde vai. É necessário reinventar a sociedade política, mas para isso são exigidas ideias, e elas parecem ter-se evaporado da Terra. Alguns historiadores, radicais em sua análise, mostram que há séculos a capacidade de pensar do homem vem minguando, como se os seus neurônios secassem. Não que faltem descobertas maravilhosas, no campo da ciência exata. Soubemos encabrestar os elétrons, partir o núcleo atômico, construir esses aparelhos fantásticos que são os computadores e a eles transferir a capacidade de resolver problemas de alta complexidade. As ideias que nos fazem falta são as do humanismo. A tecnologia, ao inventar as máquinas, sempre mais sofisticadas, que substituem os trabalhadores, poderia libertar os homens para a sua plena realização criadora. Mas o sistema capitalista não admite a distribuição dos resultados dessa produção a todos os homens. Ele exclui da sociedade econômica os trabalhadores descartados.”
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