Web ultrapassa jornais: um ano interessante

“Uma velha praga chinesa é a de “que você viva tempos interessantes”. A explicação é que tempos interessantes geralmente deixam pouco espaço para a meditação e contemplação, atividades centrais na doutrina confucionista que predominou naquele país durante a maior parte da sua história.

Praga, ou benção, o fato é que a mídia está vivendo um tempo tão interessante quanto o da popularização dos jornais impressos no final do século XIX, conforme demonstra Peter Burke em Uma História Social da Mídia. E nada indica que 2009 será diferente de 2008, que vai entrar para a história digital como “o ano que caiu a ficha”. Não somente pela campanha do Obama ou pelo “valuation” de 100 milhões de dólares do blog da Ariana Huffington, mas principalmente pelo fato de que em diversos momentos do ano as empresas de mídia tradicionais foram obrigadas, relutantemente de início, a “abraçar” os novos formatos de geração de conteúdo e negócio possibilitados pelas mídias digitais

Dois episódios são simbólicos desta tendência: de um lado o Christian Science Monitor, um dos mais tradicionais jornais dos EUA, que deve deixar de circular em papel nos próximos meses. Do outro, o aumento do uso reconhecido de blogs e twitters pela mídia tradicional, como ficou patente durante os atentados em Bombaim ou nas enchentes em Santa Catarina.

Todos esses fatores ajudam a explicar o fato de que a Web ultrapassou os jornais como principal fonte de notícias para os americanos, de acordo com a última pesquisa do Pew Research Center, feita em dezembro do ano passado. Cerca de 40% dos entrevistados afirmaram obter a maior parte das suas informações sobre eventos nacionais e internacionais na Web, contra 35% que cravaram os jornais. É a primeira vez que isso acontece desde 2001, quando a pesquisa começou a ser feita.”
Marcelo Coutinho, Conversa Afiada / Valor Online
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