A violência da Rota, também na internet

“Página da divisão de elite da Polícia Militar de São Paulo na internet resgata, com saudosismo, violência praticada durante ditadura civil militar

"Sufocado o foco da guerrilha rural no vale do Ribeira, com a participação ativa do então denominado Primeiro Batalhão Policial Militar “Tobias de Aguiar”, os remanescentes e seguidores, desde 1969, de 'Lamarca' e Marighella continuam a implantar o pânico, a intranqüilidade e a insegurança na Capital e Grande São Paulo. Ataques a quartéis e sentinelas, assassinatos de civis e militares, seqüestros, roubos a bancos e ações terroristas. Estava implantado o terror".

O trecho acima, que mais parece ter sido retirado de um documento escrito pelos responsáveis pelo golpe de 1964, que instaurou uma ditadura civil militar no Brasil, faz parte da página institucional na internet do 1º Batalhão de Polícia de Choque Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, (Rota), divisão de elite da Polícia Militar de São Paulo.

Passadas mais de duas décadas após o fim da ditadura civil militar, em pleno Estado Democrático de Direito, a pagina da Rota resgata, com saudosismo, uma série de acontecimentos que envolveram a Polícia Militar e a própria Rota, a partir de 1970, quando foi criada. São citadas, por exemplo, a participação das forças do Estado na Guerra de Canudos, 1897, na Bahia, na Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, no que chamam de "Revolução" de 1964 e na "Campanha do Vale do Rio Ribeira do Iguape, em 1970, para sufocar a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca".

A página também recorda que a unidade de policiamento que deu origem à Rota, a Ronda Bancária, que nasceu com o intuito de "coibir os roubos a bancos e outras ações violentas praticadas por criminosos e por grupos terroristas". Atualmente, informa a pagina, são as principais atribuições da Rota, em todo o Estado, o "controle de distúrbios civis" e de "contra-guerrilha urbana", conforme o Decreto nº 44.447, de 24/11/99.”
Patrícia Benvenuti, Brasil de Fato
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