E lerei amanhã, nos seus jornais, que acabou a trégua
Morre de guerra ou de paz aquele que se vai porque falta eletricidade no bloco cirúrgico? Diz-se paz quando não há mísseis – mas como se diz quando falta todo o resto?
E eu lerei nos seus jornais, amanhã, que tudo isso não é senão um ataque preventivo, que é somente um direito legítimo, inviolável, de autodefesa. A quarta potência militar do mundo, seus músculos nucleares contra os mísseis de ferro fundido, de papel machê e de desespero. E naturalmente vão me precisar que não se trata de um ataque contra civis – e aliás como poderia sê-lo, se os três homens que conversam sobre a Palestina, aqui, no meio da rua, são para as leis isralenses um núcleo de resistência e portanto um grupo ilegal, uma força combatente? - se nos documentos oficiais somos marcados como uma entidade inimiga e sem o mínimo freio ético, o câncer de Israel?
Se o objetivo é erradicar o Hamas, tudo isso reforça o Hamas.
Vocês chegam em aviões de caça para exportar a retórica da democracia, a bordo de aviões de caça, em seguida, chegam a estrangular a democracia –mas qual é a outra opção que resta? Não a deixe explodir sobre você com frequência. Não é o fundamentalismo que se bombardeia neste momento, mas tudo o que se lhe opõe. Tudo o que não restitui gratuitamente a essa ferocidade indiscriminada uma raiva igual e contrária, mas uma palavra nua de diálogo, a lucidez de raciocinar, a coragem de desertar. Isso não é um ataque contra o terrorismo, mas contra a outra Palestina, terceira e diferente, à medida que se esquiva dos mísseis, acuada entre a cumplicidade do Fatah e a miopia do Hamas.
Estava se assassinando pela autodefesa, eu deveria assassiná-lo em autodefesa – um dia os sobreviventes assim contarão o que está se passando.”
Mustapha Barghouthi, Carta Maior / tradução: Katarina Peixoto
Artigo Completo, ::Aqui::
“Quem é mais anti-semita, aqueles que viciaram Israel ano após ano durante sessenta anos, até desfigurá-lo ao ponto de fazê-lo o país mais perigoso do mundo para os judeus ou aqueles que os advertem de que o Muro marca um gueto de dois lados? É anti-semita reler Hannah Arendt hoje, em que nós, os palestinos, somos a escória da terra, é anti-semita voltar a iluminar essas páginas sobre o poder e a violência? O artigo é de Mustapha Barghouthi, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina.
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