A opressão na Palestina

“Fico aqui refletindo sobre o sentimento do mundo. Penso em Hannah Arendt , judia, intelectual, que escreveu obra magistral sobre o totalitarismo. Ela, que se opunha à barbárie, adepta da civilização, contra a aniquilação do ser humano, naturalmente contra o massacre perpetrado contra judeus, comunistas, homossexuais e outros tantos que se considerassem distantes da raça ariana, o que diria do genocídio bárbaro praticado pelo Estado de Israel nesses dias? Tenho certeza que o condenaria, sem vacilações, tanto quanto o fez em relação ao terror nazista.

Tenho lido, assistido algumas manifestações em variados países contra os crimes do Estado israelense. Nada, no entanto, proporcional à violência genocida, que não escolhe vítimas, e que tem implicado no assassinato – e há outro nome possível? – de dezenas de crianças inocentes. Há ou não há semelhança com as práticas nazistas? Tem algo a ver ou não com o holocausto? Os cadáveres infantis chocam a todos os que tenham alguma sensibilidade.

Até o dia 12 de janeiro deste ano da graça de 2009 registravam-se aproximadamente mil vítimas, a maioria civis. Dirigentes da ONU tiveram que ordenar a suspensão de suas atividades na área devido ao assassinato de um de seus funcionários durante um dos ataques israelenses. Minha sensação, e não creio estar errado, é que há amortecimento da sensibilidade diante desses horrores.

Volto a Hannah Arendt, e recupero a idéia da banalidade do mal. Parece que há, neste momento, uma razoável dose de insensibilidade diante do terrorismo do Estado israelense. Sim, terrorismo. Matar tantos civis, e, sobretudo, tantas crianças, nessa incursão na faixa de Gaza é sem dúvida terrorismo. Por definição óbvia. Por que há tanto silêncio? Por que há quem diga que se trata apenas de uma reação? Por que, neste caso, a condenação é tão débil? E por que, me pergunto, há esse silêncio atordoante dos intelectuais? No Brasil e no mundo.”
Emiliano José, CartaCapital / Foto: EFE
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