Ex-relator: Conselho de Segurança é irrelevante

“Paulo Sérgio Pinheiro foi relator da Organização das Nações Unidas em Mianmar e Burundi na África, e consultor independente do secretário geral da ONU. Em tom cético, Pinheiro acredita que "até o dia 20 de janeiro (data da posse do Obama nos EUA) não vai acontecer nada, talvez o cessar-fogo" na Faixa de Gaza. E enfatiza: "Talvez".

- De certa maneira, Israel se aproveitou oportunamente desse prazo de "pato manco" do Bush - como chamam os presidentes enfraquecidos ao fim do mandato - para fazer essa investida.

Sobre a relação entre Estados Unidos e Israel, Pinheiro acredita ser "muito improvável" que Israel continue esta guerra sem o apoio americano. Prossegue, "não só politicamente, mas o fornecimento de armas é feito pelos EUA. Portanto, ele tem o poder de acabar com essa campanha de Israel".

Em entrevista a Terra Magazine, ele analisa o conflito em Gaza que já dura 17 dias e, num balanço momentâneo, deixou 890 palestinos mortos; do lado israelense, 14 baixas. Mas Pinheiro não vê "possibilidades do conflito se extender". E ironiza: "O próprio governo Bush acharia desmedido".

O professor e cientista político faz questão de retomar a história da organização Hamas. Ressalta que quem financiou e estimulou o crescimento dessa organização "foi Israel, para enfraquecer a autoridade palestina, Arafat", justifica.

Mas afirma que "não adianta nada ficar condenando Israel, é preciso sentar à mesa e negociar". Até porque, para o ex-relator da ONU, há uma "desproporcionalidade enorme" e a razão disto é o governo Bush. "Durante esses oito anos, não se empenhou diretamente numa negociação de paz. Sempre apoiou qualquer política de Israel", conclui.”
Marcela Rocha. Terra Magazine
Entrevista Completa, ::Aqui::

Comentários