“Uma foto de divulgação publicada discretamente em algum jornal esta semana não traduziu a importância do fato. Sob um céu de brigadeiro e sobre a água azul em frente à Baía de Guanabara, começava a singrar os mares a plataforma P-51, rumo ao campo de Marlim Sul, na bacia de Campos, para produzir mais 180 mil barris diários de petróleo para o Brasil.
Mas a importância maior da P-51 não está em sua tecnologia ou capacidade de produção. Primeira plataforma de petróleo inteiramente construída no Brasil, ela simboliza a redenção da indústria naval brasileira, com os seus milhares de postos de trabalho.
Não faz muito tempo, com uma visão exclusivamente empresarial de retorno ao acionista e sem qualquer compromisso com o desenvolvimento nacional, a Petrobras construía fora do país todas as suas plataformas. Valia-se para isso de dois argumentos: a falta de capacidade da indústria naval brasileira, sucateada desde os anos 80, e, principalmente, do menor preço conseguido em estaleiros da Coréia e Singapura. Ou seja, a maior empresa do país ao construir os navios e plataformas para a exploração do petróleo brasileiro não gerava um emprego aqui.”
Mair Pena Neto, Direto da Redação
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