Le Monde e EUA: Esquerda real contra direita real

“Os comentaristas conservadores dos Estados Unidos se comprazem listando as razões pelas quais o candidato republicano não teria, segundo eles, a menor chance de ganhar a eleição presidencial: um presidente em fim de mandato no auge da impopularidade, nove em cada dez americanos descontentes com o estado do país, um Partido Republicano amplamente rejeitado, um Partido Democrata que soube se fazer amar. Atribuem a esses handicapes a derrota de John McCain, se ele perder.

O raciocínio deles repousa sobre o postulado de que o país permanece firmemente ancorado no centro-direita. E portanto o candidato republicano devia vencer, sobretudo diante de um adversário, Barak Obama, classificado, conforme seus votos no Congresso, como o mais liberal (ou seja, "à esquerda") dos senadores. Portanto, se McCain for vencido, será por culpa de George Bush e da facção que conduziu o Partido Republicano, particularmente no Congresso.

Igual a Bush, só que melhor?

É verdade que o senador do Arizona foi o preferido dos eleitores republicanos, nas primárias, devido à postura crítica que adotou com freqüência desde 2001 e à vontade de "reformar Washington" que o caracteriza de longa data. Candidato derrotado por Bush nas primárias republicanas de 2000, ele em seguida diferenciou-se do presidente em relação ao campo de prisioneiros de Guantânamo, ao uso de torturas no interrogatório de suspeitos de terrorismo, aos fenomenais cortes de impostos de 2001 e 2003, a recusa em enfrentar o aquecimento global. Porém em todas as demais questões, a começar pela Guerra do Iraque, McCain podia criticar o método, ou a execução, mas concordava quanto ao essencial. Apresentava-se como o homem que teria feito igual a Bush, só que melhor.”
Patrick Jarreau, editorialista do jornal francês Le Monde / Vermelho.org
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