“As surpreendentes declarações do ministro Gilmar Mendes contra a ministra Dilma Rousseff - "O Globo" de 4/11 - deixam o presidente do Supremo Tribunal Federal em posição desconfortável no episódio, sobretudo em face de sua falta de lógica. Incrível que um membro da Corte Suprema deixe-se levar pela emoção e por um engajamento intelectual completamente fora de quadro. O que disse a ministra-chefe da Casa Civil? Apenas que considera a tortura um crime imprescritível.
Ela fez a afirmação num contexto definido: a absurda defesa que a Advocacia Geral da União assumiu ao lado do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Não se trata, para início de conversa, de saber se aquele militar que serviu no DOI-Codi de São Paulo é culpado ou se está abrangido pela Lei de Anistia, Lei 6.683, de agosto de 79, sancionada pelo presidente João Figueiredo. Trata-se da improcedência da defesa pela AGU. Acusado por uma família paulista de tortura e seqüestro de seus filhos no passado, cabe a ele, exclusivamente a ele, Brilhante Ustra, se defender.”
Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa
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