“Parece que para alguns formadores de opinião e para dirigentes do PSDB a metáfora da pedra e do lago, ou melhor, numa avaliação mais realista, do copo d’água, está de volta. Só assim se pode explicar considerações de que um dos “derrotados” no primeiro turno desta eleição é o presidente Lula, e ao mesmo tempo o “vitorioso” é o governador José Serra.
Era uma vez um lago. A pedra, nossa heroína, caía no lago. As ondas concêntricas se preparavam. Encrespando-se, derramavam-se pelo lago, levando a mensagem da pedra até os confins das distantes margens. Ali chegavam aos borbotões, impregnando até a areia com sua boa nova.
Que bonito! Lembram-se dessa metáfora? Pois ela explicaria a fenomenal vitória que Geraldo Alckmin deveria ter obtido nas eleições presidenciais de 2006. Alckmin era o favorito dos eleitores tidos como os “mais” pelos “analistas dos formadores de opinião”. Mais o quê? Não importa. Podia ser “os mais ricos”, “os mais instruídos”, “os mais lidos”, “os mais de S. Paulo”, “os mais do Sudeste”, ou sei lá eu o quê.
Nesta metáfora, até então acalentada por muitos de nossos conservadores “formadores de opinião”, o Brasil é uma cebola de círculos concêntricos que vão do melhor para o pior, do adiantado para o atrasado, do moderno para arcaico, da elite para o povo, do Centro para o Norte, do branco para o preto, do homem para a mulher, e assim por diante.”
Flávio Aguiar, Carta Maior
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