“O mundo eu acho que posso conhecer inteiro. Leva tempo e algumas notas verdes. E eu não vou chegar a conseguir, claro, mas o que importa é que eu vejo o mundo no mapa, no globo, numa representação qualquer - e sei que ele está ali, cheio de umas ruas de terra e um marzão e tal.
A mesma coisa com os livros: se eu quiser, se quiser mesmo, leio tudo. É que eu não quero, mas está tudo ali, contando duas dúzias de bibliotecas enormes. Posso ler as orelhas, por exemplo; ou ver as lombadas.
Taí, vou ver as lombadas de todos os livros, visitando várias bibliotecas em vários lugares do mundo, quase todos - inclusive porque um lugar sem biblioteca, ou é "natureza" (e não tem gente), ou não tem gente, e não tendo gente, me interessa um pouco menos.
Mas acontece que eu tinha uma idéia de conhecer a internet inteira também, porque daria menos trabalho que o mundo e os livros. Portais, jornais e revistas, brogs, páginas do orkut. Mas acho que não vai dar, não.”
Bruno Rabin, Farsante / Apostos
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