De Caraminguá a Tupi

“Monteiro Lobato deve estar sorrindo no céu com o futuro descortinado pela descoberta da camada do pré-sal, que pode conter bilhões de barris de petróleo. Do poço Caraminguá no 1, no Sítio do Picapau Amarelo, ao poço de Tupi, na bacia de Santos, o petróleo passou de sonho à realidade redentora do Brasil.

A referência da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao livro “O poço do Visconde”, de Lobato, mostrou-se pertinente por homenagear o pioneiro da luta pelo petróleo no Brasil, antes mesmo que qualquer gota tivesse jorrado, mesmo no fictício poço do visconde, explorado pela Companhia Donabentense de Petróleo.

A Petrobras foi criada cinco anos após a morte de Lobato e se tornou uma gigante sem jamais ter deixado de ser estatal. A ela deverá caber um papel preponderante sobre a exploração das reservas do pré-sal, que poderão garantir ao país um novo salto de qualidade.

O governo tem sido criticado por contar com o ovo antes da galinha. De já pensar na aplicação dos recursos do possível óleo sem que uma sonda sequer tenha tocado as camadas ultraprofundas do pré-sal. O papel de um governo é planejar o futuro e não ser surpreendido por ele. O petróleo só começará a sair do pré-sal a partir de 2010, mas a legislação sobre ele precisa ser debatida desde já por toda a sociedade brasileira.”
Mair Pena Neto, Direto da Redação
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