O fundo do lago

“Os fatos, às vezes, pela profusão de interpretações, deixam de ser fatos em sentido duro. E passam a confundir. Até porque a mídia, que é quem elabora a nossa compreensão do mundo, ou pretende fazê-lo, está longe de ter compromisso com os fatos. O que havia algum tempo era uma espécie de jargão obrigatório do jornalismo, e que de há muito deixou de sê-lo. Ao menos para a maioria dos nossos meios de comunicação.

Posso e devo destacar as exceções, e é claro que estou me referindo aos episódios recentes que envolveram o banqueiro Daniel Dantas, e as duas mais significativas são o Terra Magazine, sob a batuta de um dos mais brilhantes repórteres brasileiros, Bob Fernandes, e CartaCapital, sob a direção do grande Mino Carta. Bob, como se sabe, foi também durante muito tempo o redator-chefe de CartaCapital. Nesses dois veículos foi possível chegar perto dos fatos.

Não quero, nesse texto, discutir os fatos em si. Os muitos fatos e versões deverão ser interpretados pelos leitores, expectadores e ouvintes de nossa mídia. E vejam como é curioso: parece que faz uma eternidade que esses fatos tão recentes, envolvendo Daniel Dantas, ocorreram. A mídia esfria ou esquenta os fatos, a depender de seus interesses, de seu específico olhar. Creio que o nosso povo tem aprendido bastante a fazer a leitura da mídia, ao contrário do que ela própria pensa. Não tivesse, e Lula não teria sido eleito para o segundo mandato.”
Emiliano José, Carta Maior
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