Os testículos da sociedade hipócrita na alcova do Papillon

"A grande sacada da Nike é tentar associar a marca ao estilo de vida do jogador, mais que a seu desempenho dentro de campo." (Tom Webb, diretor da Bell Pottinger, empresa britânica que coordena patrocínios esportivos - à revista "IstoÉ Dinheiro" em 2006)

Devemos a Ronaldo Luiz Nazário de Lima, esse garotão de 31 anos, uma nova e insólita exposição dos testículos de uma sociedade assentada na hipocrisia, na covardia e no jogo de aparências.

Por conta de uma seqüência de atitudes imprudentes, que foram geradas a partir do seu inconsciente reprimido, ele deixou meio mundo em estado de choque ao romper a redoma sistêmica, que o credenciou como embaixador da ONU, pelo brilho nos gramados, para mergulhar no submundo dos instintos indomáveis, que falou mais alto e o transformou num homem-bomba apontado para o circo das aparências teatrais.

Por muito tempo, ele será o assunto predileto de todas as rodas, em todas as camadas sociais, aliviando-nos, ainda que parcialmente, da carga pesada imposta por uma mídia medíocre e sensacionalista, que nos ofereceu a horripilante narrativa dos mínimos detalhes da tragédia de uma menina assassinada no âmago de uma classe social para a qual a monstruosidade é monopólio dos favelados e da ralé.”
Pedro Porfírio, Tribuna da Imprensa
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