Nossa mídia é de parte

“Jornalistas na contramão e politólogos desabridos acreditam que a mídia brasileira atue como partido político. Permito-me discordar, a despeito do meu apreço por quem não hesita em expor o facciosismo, a hipocrisia e a má qualidade do jornalismo nativo.

Onde estaria o modelo? Qual seria o partido que no Brasil não passou e não passa de clube recreativo? Em anos ainda verdes, imaginei que um partido de esquerda, autêntico e genuíno como agremiação política voltada para o interesse da maioria, representaria um avanço para o País, fator de progresso.

Creio que este partido poderia ter surgido caso o golpe de 1964 não interrompesse brutalmente um processo então apenas esboçado. Da industrialização em andamento, com resultados notáveis em São Paulo e outros pontos do mapa, surgiria um proletariado (perdoem os vocábulos vetustos) habilitado a votar à esquerda com a consciência da urgência da escolha e a força determinante de pretender as benesses burguesas.”
Mino Carta / Carta Capital
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