O Legado de Dom João

“Dom João VI anda onipresente como nos tempos em que reinava em Portugal, Brasil e Algarves. A comemoração histórica dos 200 anos da chegada da família real ao Brasil faz sentido, mas é necessário não perder de vista o significado do modo de produção imposto à colônia e os atrasos que ele trouxe ao Brasil.

Devemos a dom João VI coisas maravilhosas, como a Biblioteca Nacional, o Jardim Botânico e a Academia Brasileira de Belas Artes, mas nada disso deveu-se a um caráter benevolente e a um propósito de ilustrar a colônia e, sim, a adequá-la à corte portuguesa, que desembarcava em terras miseráveis, assim mantidas por três séculos, enquanto os monarcas desfrutavam de suas riqueza à distância.

Patrick Wilcken, em “Império à deriva”, exemplifica a renda proveniente da colônia com a riqueza do mosteiro de Mafra, que começou como um convento modesto para frades franciscanos e converteu-se num suntuoso palácio, com mármores italianos e sinos belgas, todo financiado com o ouro proveniente do Brasil.”
Mair Pena Neto, Direto da Redação
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