O conflito em Roraima

“O que está ocorrendo em Roraima é mais grave do que o eventual confronto entre as forças policiais e os arrozeiros. Os governos recentes – entre eles o atual – se têm rendido às pressões internacionais que reclamam a autodeterminação das tribos indígenas sobre os territórios que ocupam. Ao aceitar a ação de missionários e de ONGs junto aos índios, sem o controle das autoridades nacionais, o governo permitiu que elas viessem a substituir o Estado nesses territórios. Elas atuam no Exterior – muitas delas subvencionadas pelos seus governos – sobre a opinião pública internacional. Desde o exterior, mediante vários organismos, incluída a ONU, pressionam o Brasil a que demarque áreas estratégicas de seu território, e cada vez maiores, como reservas indígenas. Além disso, seus agentes atuam atrevidamente nessas áreas, fechando-as e impedindo a entrada de autoridades nacionais.

Os sentimentos humanos nos fazem lamentar o processo de ocupação da América pelos europeus. Ele foi brutal, como se sabe, e mais brutal ainda nos espaços andinos e transandinos, que acolhiam civilizações sedimentadas, capazes de oferecer resistência aos invasores. A diferença dos meios bélicos permitiu o massacre de milhões de seres humanos, ao longo destes cinco séculos. No Brasil, só a partir de 1915 começamos a ter uma política indígena coerente, sob inspiração de Rondon.”
Mauro Santayana, Jornal do Brasil
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