O esquerdista do Vietnã

“A invasão do Crusp em 1968, as prisões e todos os abusos possíveis tiveram também seu lado cômico, não fosse o saldo trágico deixado

Morar no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, o Crusp, em 1968, era bom demais. A gente se sentia fazendo história, contribuindo para mudar o mundo, pois ali estava um dos principais focos de resistência à ditadura. Outro era a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, que não era a mesma coisa que a atual FFLCH. Ainda incluía departamentos como de Física, Pedagogia, Psicologia, Matemática.

Mas veio o Ato Institucional no 5, conhecido pela sigla AI-5, baixado em 13 de dezembro daquele ano, por ironia, anunciado por um ministro da Justiça, Gama e Silva, saído da própria USP. A partir daquele momento, a ditadura se radicalizava. Deixava de existir o habeas corpus e intensificou-se o vale-tudo para a polícia e os militares: invadir residências sem ordem judicial, prender, torturar, matar...”
Mouzar Benedito, Revista do Brasil
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