“O governo deve inspirar-se em Roosevelt: o Estado deve agir, criar empregos e ampliar o mercado interno. E manter o Brasil longe de sucumbir à crise mundial, como torce a oposição
O mundo se encontra em suspenso, com a crise iniciada com a queda da Bolsa de Nova York. As medidas tomadas pelo governo norte-americano, a fim de conter o desabamento do mercado financeiro, se mostram débeis, frente ao temor de uma recessão globalizada como a dos anos 30, vencida corajosamente por Roosevelt, com o New Deal. O jornalista William Greider, em denso ensaio sobre o FED (o Banco Central de lá), mostra como o controle monetário é instrumento de domínio do capitalismo. “Acima de tudo”, diz, “a moeda é uma questão de fé.” É a mais bem elaborada das convenções humanas.
Em um pedaço de papel se inscreve determinado valor, e se acredita que ali haja o equivalente a determinados bens. O papel, em si mesmo, não vale nada. Da mesma forma, a moeda não se reproduz. Como disse Aristóteles, se colocarmos duas dracmas (unidade monetária de seu tempo) juntas durante um ano, elas não são capazes de produzir um só óbolo (ou centavo). A única coisa de valor no mundo é o trabalho, que produz bens tangíveis. O valor da moeda é atribuído em contrato consensual, no qual se finge acreditar.”
Mauro Santayana, Revista do Brasil
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