Um povo sob o fogo

“Não bastaria a vitória do Sim no dia 2 de dezembro. As semanas e meses posteriores a essa data podem chegar a ser sumamente duros para muitos povos

Venezuela, cujo povo herdou de Bolívar ideias que transcendem a sua época, encara hoje a tirania mundial mil vezes mais poderosa do que a força colonial da Espanha somada à da República recém-nascida dos Estados Unidos, que através de Monroe proclamou o direito à riqueza natural do continente e ao suor dos seus povos.

Martí denunciou o brutal sistema e o qualificou de monstro, em cujas entranhas viveu. O seu espírito internacionalista brilhou como nunca quando, em carta inconclusa pela sua morte em combate, desvelou publicamente o objectivo do seu incessante batalhar: “...já estou todos os dias em perigo de dar a minha vida pelo meu país, e pelo meu dever? visto que o entendo e tenho ânimos com que realizá-lo? de impedir a tempo com a independência de Cuba que se estendam pelas Antilhas os Estados Unidos e caiam, com mais essa força, sobre as nossas terras da América...”

Não foi em vão que num verso singelo exprimiu: “Com os pobres da terra quero jogar minha sorte”. Mais tarde proclamou com frase lapidária: “Pátria é humanidade”. O Apóstolo da nossa independência escreveu um dia: “Dê-me Venezuela em quê servi-la: em mim ela tem um filho”.
Fidel Castro Ruz, Brasil de Fato
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