“Gastando muito dinheiro, tempo e espaço mediático, a FIESP, com o Conselho de Jovens Empreendedores, seu pujante ramo juvenil, à frente, juntou, no dia 16 de outubro último, 15 mil cansados (algo em torno de 0,1% dos 15 milhões de habitantes da megalópolis paulistana). Um magro resultado para quem alardeava a expectativa de reunir dois milhões de manifestantes. Sobretudo considerando que a grande maioria desses 15 mil estava ali para ouvir ao vivo duplas sertanejas e outras cantoras e cantores de sucesso mediático.
No caso, a dupla Zezé de Camargo e Luciano. Luciano, sincero, reconheceu que ''é hipocrisia falar que esse movimento não é contra o governo Lula''. Zezé, mais maneiro, disse que não, mesmo porque ''até aceita'' a prorrogação da CPMF ''se a alíquota for mais baixa e os recursos forem todos para a saúde''. Já um porta-voz da banda NX Zero, também convocada para abrilhantar a festa reacionária, mostrou certa dificuldade em justificar sua presença em linguagem compreensível: ''A gente está fazendo um negócio de uma coisa que eu não sei informar''. A falta que faz uma boa escola básica! Os dois jornalistas de quem extraí essas declarações concluem sua reportagem contando que ''o público gritava e aplaudia quando o locutor dizia o nome das bandas. Quando ele pedia um não para a CPMF, recebia apenas o silêncio'' (Folha de São Paulo de 17 out. 07). É compreensível. Os pobres raramente usam cheque.”
João Quartim de Moraes, Vermelho.org
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