O imperialismo e suas metáforas

“O Embaixador Marcos Azambuja não foi feliz ao qualificar o Brasil como "o cachorro grande" da América do Sul, em entrevista a Willi am Waack. Os cães, desde que se associaram aos caçadores, protegem os donos e comem de seus restos. Quem não conheça bem o Embaixador Azambuja - dos mais qualificados quadros do Itamaraty - poderá supor que cabe ao Brasil o papel de guardião da ordem no continente, a serviço de algum dono.

A paz entre as nações depende, como diz a Carta das Nações Unidas, da igualdade de direitos e do respeito estrito à autodeterminação dos povos. O Brasil foi, em 1907, com Ruy Barbosa, o defensor intransigente desses princípios, na Conferência de Haia. Desde Rio Branco temos mantido a mesma postura pragmática, que nos é conveniente e corresponde à ética. Dos fortes, mais do que dos fracos, espera-se a paciência nos conflitos ocasionais. Essa tradição, infelizmente não impediu a intervenção militar na República Dominicana, determinada por uma OEA submetida, como nunca, aos Estados Unidos, e acatada pelo governo militar chefiado pelo marechal Castelo Branco. Outra coisa é a nossa presença no Haiti, solicitada pela comunidade internacional, a fim de garantir a ordem, e não para servir a qualquer facção. Mas surgem, entre nós, os que falam em intervenção nos países vizinhos, e decretam o fim do princípio da autodeterminação dos povos.”
Mauro Santayana, Jornal do Brasil
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Comentários

Anônimo disse…
Lapsus linguae? Ou a expressão da antiga diplomacia representada "brilhantemente" pelo chanceler que tirou os sapatos num aeroporto ianque sob as ordens de um policial?
Anônimo disse…
Fidel espirra em Cuba e o Justino toma aspirina no Brasil. Numa democracia todos são iguais perante a lei. Não tem este negócio de "o senhor sabe com quem está falando?" Como aconteceu a 15 dias atrás com Ciro Gomes ao chegar de Luanda num vôo da TAAG. O funcionário da imigração brasileira lhe pediu o atestado de vacina contra febre amarela e recebeu como resposta "o senhor não está me conhecendo? eu não sei o que é isto". Típico da arrogância da esquerda que se julga superior. Se a lei do país é para todo o mundo tirara o sapato todo mundo tira. E fim de papo, não me venha com arrogâncias lulo-petistas