Comunicação,o desafio da esquerda

“O Brasil ainda padece da falta de grandes jornais e outros meios de comunicação de massa independentes. Disputas políticas, ausência de anunciantes, menosprezo do governo federal e monopólio – da mídia comercial e da distribuição em banca – são barreiras a ser vencidas

Por que jornais e revistas de esquerda penam para decolar no Brasil? Boicote dos anunciantes? Sabotagem dos distribuidores? Incompetência dos profissionais? Falta do que dizer ou não saber como dizer? E, se for um pouco de tudo isso, como superar? O volume deses jornais e revistas hoje é insuficiente – em circulação ou tiragem – para fazer frente à imprensa conservadora. É verdade que poucas atividades são tão arriscadas quanto o jornalismo. Ainda mais em tempos de revolução tecnológica. Anunciantes pesados desaparecem de um dia para o outro. Basta lembrar casos como Varig, Banco Santos, BRA. Os donos do dinheiro não investem no jornalismo impresso pela taxa de lucro, que é baixa; entram pelo prestígio, para fazer política, ou para mamar em verbas de publicidades governamentais.

Mesmo assim, três dos maiores jornais brasileiros quebraram na última década. O Estadão virou refém de bancos credores. Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil foram comprados por um empresário especializado em arrematar empresas na bacia das almas.”
Bernardo Kucinski, Revista do Brasil
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