A ditadura e o tratamento dos militares subalternos

"O golpe militar de 1964 pôs fim à primeira experiência de regime democrático no Brasil." (Renato Cancian, cientista social.)


A história militar, em muitos países como o Brasil, é marcada por uma doutrina injusta em relação às classes subalternas de soldados, cabos, sargentos e suboficiais. Até à Constituição de 1988, cabos e soldados das Forças Armadas não podiam votar, casar-se e usufruir de outros direitos civis. Os sargentos podiam votar, mas não podiam ser eleitos.


Durante os anos de chumbo, as punições aos marinheiros e cabos que lutavam pela conquista de direitos elementares foram implacáveis. Convivi com muitos ex-marinheiros expulsos e condenados a cinco anos de prisão somente por terem participado da assembléia de 25 de março de 1964, comandada pelo ex-cabo Anselmo.


Eles faziam parte de um grupo de quase 800 marinheiros e fuzileiros navais, a maioria dos quais sofreu punição mesmo não tendo sido denunciados pelo Ministério Público da Marinha. Todos, uma vez punidos, converteram-se em mortos-vivos: suas esposas eram tratadas pela Marinha como se fossem viúvas.”
Pedro Porfírio, Tribuna da Imprensa
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