“Porque a repórter não abordou o ministro Ricardo Lewandowski após ter ouvido e anotado sua conversa ao celular?”

“Chama a atenção que os três maiores furos jornalísticos na cobertura política brasileira das últimas semanas ocorreram na fronteira entre o espaço público e o privado. E que dois deles se relacionam à repercussão da própria cobertura jornalística no meio político.

São eles o episódio do "top-top", protagonizado pelo assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia; a correspondência eletrônica de dois ministros do STF flagrada por um fotógrafo de O Globo durante julgamento das denúncias do mensalão; e as declarações de um deles feitas ao celular num restaurante de Brasília, testemunhadas por uma repórter da Folha.

São três flagras da imprensa que contêm digitais da era da comunicação total. Vivemos cercados de câmeras e nos relacionamos por celulares e computadores o tempo todo, mesmo enquanto desempenhamos outras tarefas ou relaxamos. Cinegrafistas, fotógrafos e repórteres atentos trazem à luz do público manifestações que tinham como destino exclusivo os seus interlocutores.

Não pretendo aqui entrar na discussão ética sobre o uso de tais informações. Meu objetivo é refletir o quanto estas ações - isoladas de outras ferramentas de reportagem - contribuem para compreensão dos fatos que realmente mais interessam à sociedade. E se a mídia está cumprindo o seu papel de investigar e mediar a informação que chega ao público.”
Ricardo Kauffman, Terra Magazine
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