Por que “seletividade” nas denúncias?

“Não tenho nada contra denúncias de Caixa 2 e de corrupção. Mas essas críticas devem atingir a todos indiscriminadamente, à esquerda e à direita, governo e oposição. Por que as denúncias são seletivas, só apontando um dos lados?

Não tenho nada contra denúncias de caixa 2 ou de corrupção – nem poderia, uma vez que o viés crítico, a tão propalada eterna vigilância e as conseqüentes denúncias, que dela advém, são posturas essenciais/inerentes ao bom jornalismo e é, indubitavelmente, um primeiro passo para a correção de falhas do nosso sistema político, dos desvios de conduta dos homens públicos e de rumos dos governos. Mas essas críticas e denúncias devem atingir a todos indiscriminadamente – à esquerda e à direita, governo e oposição.

E esse é apenas um primeiro passo. Os passos seguintes, desgraçadamente quase sempre sem a firmeza e competência necessárias, devem, assim determina a Lei, ficar a cargo da polícia, do Ministério Público e da Justiça. A Justiça, como todos sabemos, é por demais lenta e suas decisões são para sempre postergadas nos meandros e estratégias que o Direito Processual propicia. Porém, não exatamente por isso, ou não exatamente como conseqüência disso [da morosidade da Justiça e das intrincadas miríades do Direito], a imprensa, nos dias de hoje, arvora-se o grande verdugo: investiga, denuncia e também condena, ao arrepio da lei e do Estado de Direito.”
Lula Miranda, Carta Maior
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