Paciência para o terceiro mandato

“Num primeiro pronunciamento amplo antes da convenção do PT, Lula não deixa dúvidas quanto à estratégia pensada para a legenda e seu próprio futuro. O ponto de partida é o fenômeno inédito da permanência da popularidade presidencial, não obstante a quebra do partido, o indiciamento do mensalão e o massacre mediático cíclico do Planalto. Na área externa não se poupa o confronto com Chávez, o rival a longo prazo no continente. A permanência indefinida no poder - frisa Lula - leva a constituição de "ditadorzinhos", num claro recado a Caracas.

Só deparamos, na banda andina, a passagem do sucesso eleitoral repetido ao mais ostensivo continuísmo político. O precedente racha também a Bolívia, e começa a atingir o Equador, na criação dos facilitários de maiorias nos Congressos para desimpedir, sem volta, a ação dos Executivos.

Em contraste aí está - e no impacto da mais importante decisão do Supremo - a convicção da independência dos poderes e do aperfeiçoamento de nosso Estado de Direito. A liderança brasileira no avanço da democracia profunda hoje salta a América Latina e se credencia hoje no respeito internacional.”
Candido Mendes / Jornal do Brasil
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