“Ao longo de minha vida de estudante da Faculdade Nacional de Direito e, pouco depois, de jornalista profissional, conheci gente de talento e renome.
Através de minha ex-mulher, Maria Teresa Senise, prima de Maria Lúcia Proença (1928-2007), passei a ter contato com nada menos do que o poeta e compositor Vinícius de Moraes (1913-1980). Vinícius e Lucinha viveram juntos por alguns anos no Parque Guinle, em Laranjeiras, e pude freqüentar o apartamento deles com assiduidade. Os dois, que pareciam viver um grande amor, recebiam convidados diariamente e lá estava eu, atento, para ouvir as composições ao violão que Vinícius dedilhava com beleza e categoria.
Ao entrar para a Nacional de Direito, em 1961, fui convidado para integrar a equipe que lançaria a Revista da Reforma – partido estudantil com tendências socialistas e oposicionista à ALA. Já com pretensões ao jornalismo – o que só viria a ocorrer mais tarde – a oportunidade me deixou empolgado. E logo para o primeiro número prometi que conseguiria um poema inédito de Vinícius para comemorar o primeiro número. Liguei numa sexta-feira e ele me prometeu entregar o poema na segunda-feira, no Itamaraty (só teria a carreira de diplomata cassada quando os militares chegaram ao poder). Confesso que fiquei em dúvida porque Vinícius iria passar o final de semana em Petrópolis com Lucinha e não sei se o poetinha teria tempo livre.”
Roberto Porto, Direto da Redação
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