A esquerda e o corporativismo

“As circunstâncias associaram, no fim do século 19, o pensamento clássico da esquerda ao sindicalismo. As associações de trabalhadores, herdeiras das corporações medievais, eram as bases da organização revolucionária internacional, naquele momento em que a classe operária constituía a vanguarda na luta pela justiça. Desde então, o modelo econômico imposto pela burguesia européia daquele século 19 se baseia na desigualdade, e jamais poderá prover a comunidade planetária do bem-estar sonhado pelos humanistas de todos os tempos. Em conseqüência da aceleração da tecnologia, os trabalhadores manuais têm sido alijados do processo econômico e político e, de acordo com as sombrias previsões dos especialistas, serão cada vez mais excluídos. Sobre o mito desse tipo de desenvolvimento há excelente ensaio de Celso Furtado.

Esta situação nova, que esteve na origem da crise ideológica nos países socialistas, com a ascensão dos tecnocratas e a perda de poder dos quadros operários, não foi devidamente analisada pelos teóricos de esquerda. Alguns, de maneira tímida, resolveram sair do círculo de giz da divisão de classes, com o projeto de uma sociedade igualitária mediante a consciência dos limites do desenvolvimento.”
Mauro Santayana, Jornal do Brasil
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