“Depois da tragédia com o vôo da TAM, que vitimou cerca de duas centenas de pessoas, o noticiário e os comentaristas de uma forma geral avançaram para um ataque direto, não mais às empresas e instituições ligadas ao setor aéreo (Gol, TAM, Infraero, Anac, Aeronáutica etc.), mas diretamente ao presidente Lula e ao seu governo.
Mesmo quando ficou claro que a causa do acidente não foi a entrega da pista sem condições adequadas (hipótese imediatamente comprada por toda a mídia como definitiva, mesmo sem qualquer evidência consistente), a escalada em direção ao centro do governo não parou, sendo que o episódio da “imagem clandestina”, que envolveu Marco Aurélio Garcia e Bruno Gaspar, serviu como senha para que o assunto passasse a ser a insensibilidade de um governo que, além de incapaz de agir e resolver problemas importantes, transforma tudo em disputa política... rasteira e obscena.
É sabido que mais do que a imagem, o importante para a construção de opinião é a chamada metamensagem, aquilo que não é dito por palavras, mas está subjacente ao texto e à imagem e, portanto, é recepcionado de forma diferente por cada pessoa, sendo diretamente relacionada aos seus valores e experiências. As empresas de comunicação de massa valem-se amplamente deste conhecimento no processo de produção de opinião (como é evidente na publicidade, que vive da fabricação e incitamento do imaginário dos consumidores, sempre buscando transformar as mercadorias que vende à satisfação deste imaginário).”
Gerson Almeida / Portal: PT
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