E no Primeiro Mundo: 27 anos de luto

“As entrevistas mais desagradáveis, as reportagens mais constrangedoras, para um jornalista com um mínimo de ética, são as que cobrem os grandes lutos. Por bombas, desastres, flagelos, loucura que sejam. Falar com quem estava lá, ou com quem sobreviveu, ou com quem perdeu pessoas queridas, fazer perguntas, vasculhar na tristeza, dão a sensação de um trabalho quase amoral. Quem trabalha na tevê tem inclusive a obrigação de mostrar a dor, a devastação. Por mais digno e correto que seja, é trabalho de urubu.

Já se passaram 27 anos da bomba que, em 2 de agosto de 1980, matou 85 e feriu 200 pessoas na estação ferroviária de Bolonha, e mesmo assim, ontem, ao entrevistar Paolo Bolognesi, presidente do sindicato dos parentes das vítimas, tive a mesma vergonha que teria no dia seguinte do massacre. Mesmo porque dor não envelhece. A dor e a raiva são as mesmas de 27 anos atrás. Bolognesi explica o que as alimenta: não saber quem mandou explodir a bomba, ainda hoje, e ver tantos ex-terroristas na tevê, nos jornais, até no parlamento.”
Vera Gonçalves de Araújo / Terra Magazine
Matéria Completa, ::Aqui::

Comentários