Da tragédia ao pânico

“Desastres são momentos do jornalismo nos quais se acirra a corrida contra o tempo. Mas o repórter não pode assumir o que diz o primeiro especialista que encontra. Precisa ser rigoroso na escolha dos entrevistados, deve hierarquizar e contextualizar com cuidado.

Duzentos mortos num único desastre é algo fora do comum. Por isso, desastres de aviões como o do Airbus da TAM traumatizam toda a sociedade, que exige uma explicação. Qual a causa? Quem são os culpados? É na imprensa que o povo confia nesse momento crítico, não nas autoridades ou empresas. O tratamento da tragédia pela mídia pode ter efeito decisivo no julgamento das pessoas e mesmo desencadear todo um novo comportamento coletivo. Daí a enorme responsabilidade do chamado “jornalismo de desastres”. Há até entidades internacionais, como o Dartcenter e a AlertNet, que se dedicam ao aperfeiçoamento do jornalismo nessas situações.”
Bernardo Kucinski / Revista Brasil
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