“Não vi fantasma nenhum e que posso dormir em paz.
“Curioso vizinho de rua. Não o via nem sabia mais dele desde começos dos 1990s, quando me casei e fui morar no Jardim Carioca, bairro da Ilha do Governador, há quatorze anos. Mas já nos primeiros dias do meu regresso a Marechal Hermes, sem a mulher e assoberbado de dívidas embora pronto para outra, contaram-me na Pastelaria do Lee que ele, o tal vizinho, tinha certa manhã marcado bobeira ao atravessar nossa principal avenida e fora atropelado por uma ambulância desatinada, morrendo dali a instantes. Logo verão por que esse detalhe fatal tinha absolutamente tudo para dar veracidade à notícia.
Bem, ontem à noite, ao voltar de uma sueca com os aposentados e os desocupados da área, cruzei com o fantasma do homem na entrada do Hospital Carlos Chagas. E que fantasma!... Bem-vestido, empinado e arrogante como um acólito de chefe político, vendendo mais saúde que os boateiros vivos do pedaço. Fiz uma cara tão assustada quando apareceu na minha frente, que ele na mesma hora entendeu a situação.”
Luiz Guerra / Carta Maior
Crônica Completa, ::Aqui::
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