Universidades públicas paulistas são o novo alvo da 'abordagem fiscalista'

“O sucateamento da educação no Brasil, desde os níveis básico e fundamental até o ensino universitário, e nos âmbitos público e privado, é um dos dados mais assustadores de nossa realidade. Desde escolas primárias sem luz elétrica até a proliferação de universidades privadas, verdadeiras indústrias do ensino, voltadas aos objetivos do mercado e sem qualquer interesse em aprofundar o conhecimento e a cidadania de seus alunos, o cenário é desolador.

As inquietações podem se aprofundar na medida em que nos detemos na pesquisa de algumas atitudes concretas que são tomadas no enfrentamento dessas anomalias. Atendo-se, em primeiro lugar, a uma abordagem meramente quantitativa, enquanto os gastos com juros no ano de 2006 somaram 160 bilhões de reais, a proposta de orçamento para a Educação previa, no final do ano passado, um crescimento de 15,7%: de R$ 17,3 bilhões em 2006 para R$ 19,9 bilhões em 2007.

Extrapolando-se essa abordagem para uma visão qualitativa, a situação não parece melhor. Quando se trata de políticas sociais, o que se percebe são governos que, em seus diversos níveis, municipal, estadual e federal, não adotam um enfoque universalizante na solução das distorções, preferindo agir focalizadamente sobre as conseqüências de problemas que são históricos e estruturais.”
Valéria Nader / Correio da Cidadania
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