“As matérias publicadas recentemente sobre Jader Barbalho e Ana Júlia Carepa abrigam informações que precisam ser consideradas, porque são verdadeiras. Mas a forma nega o conteúdo. A forma é acessória, mas quando quem a elabora lhe concede o primeiro plano, compromete a credibilidade da revista junto ao seu leitor, ainda quando a publicação tenha razão. É impossível, sem deixar de considerar a razão, e até mesmo dando-lhe prioridade, não deixar de perguntar a que interesses da revista serve essa razão.
Jogando fora padrões e princípios que lhe deram a excepcional perenidade que alcançou, Veja provoca a desconfiança do leitor. Seria como se aparecesse com pérolas nas mãos uma pessoa metida na lama entre os porcos. Pode-se pensar que essas pérolas não são de quem as carrega, mas que foram roubadas. Ou são falsas. Veja, infelizmente, parece que desceu a essa condição, talvez derrubada do seu pedestal pelas trapalhadas e circunstâncias da Editora Abril. Não será assim que a empresa irá se recuperar. Será exatamente assim que uma revista importante desaparecerá, se continuar assim.”
Lúcio Flávio Pinto / Observatório da Imprensa
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