Que mãe?

“Afinal, que adjetivo seria adequado para qualificar a palavra mãe?

“Procuro, de memória, definir um padrão de mãe ideal. O que seria, afinal de contas, mãe ideal? Descubro, de pronto, que escrevi um absurdo. Ideal, por si, pressupõe imaginação e utopia. Não é real, é imaginário. Não é essa a mãe que tento definir. O que talvez tenha querido dizer seja mãe completa. Mais uma vez, vejo que a palavra completa pressupõe alguém a quem não falta nada do que pode ou deve ter. Qual mãe teria essa completude? Nenhuma, é certo. Penso então em mãe fiel, mas acho que fica meio piegas, pois significa que é digna de fé. Por outro lado é também quem cumpre o que promete. Mas, as mães não prometem, pois a curta ou longa vida vive-se no dia a dia, na lida. Elas não prometem, vão fazendo. Desisto então, de mãe fiel e imagino que mãe porreta seja mais moderno, justo para a moçada, mas descubro que há filhos nascidos nos tempos em que chamar uma mãe de porreta seria, para eles e para ela, no mínimo, uma grosseria.”
João Soares Neto / Carta Maior
Crônica Completa, ::Aqui::

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