Não me obriguem ao silêncio

“Meu artigo sobre a Igreja católica, no dia da chegada do Papa Bento XVI em São Paulo, me valeu um recorde em matéria de comentários de leitores. Infelizmente não posso responder a todos individualmente, por isso, decidi uma resposta coletiva, comentando as principais críticas recebidas.

Alguns estranharam minhas opiniões numa questão de igreja, já que o Papa vindo ao Brasil não estava obrigando ninguém a ouví-lo ou a seguir suas doutrinas. O argumento parece perfeito, porém não procede. A questão do aborto, por exemplo, não está restrita às paredes das igrejas. Se a linguagem do Papa orientasse unicamente seus fiéis a não praticarem o aborto, eu não teria metido minha colher. Porém, é conhecida a promessa de mobilizaçao da Igreja contra qualquer projeto de lei descriminalizando o aborto.

Então, não se trata de um tema restrito à fé católica e sim a toda população. Desde a proclamação da República, o Brasil optou pela laicidade (embora a separação da Igreja do Estado brasileiro se tenha efetivado só por volta dos anos 50) e argumentos religiosos não deveriam interferir na elaboração das leis.”
Rui Martins / Direto da Redação
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