Navalha na carne da história do poder à brasileira

“A operação da Policia Federal batizada como Navalha e deflagrada desde a manhã desta quinta, 17 de Maio, carrega denso conteúdo simbólico - ainda que sem tal intenção. A lista de mais de 40 presos por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e crimes conexos a estes, é um corte linear numa história que envolve há pelo menos duas décadas os mesmos personagens: eles são empreiteiros de obras públicas e políticos - ou os próprios ou e/ou descendentes.

Na operação tocada por cerca de 400 policiais federais em 9 estados e mais o Distrito Federal, a investigação nuclear se deu em torno de Zuleido Soares de Veras.

Zuleido é o sócio majoritário da Gautama. A empreiteira é sempre apresentada como sendo "baiana" porque baiana era a OAS, para quem Zuleido trabalhava nos anos em que PC Farias era o tesoureiro e Fernando Collor o presidente da República. Mas há aí um engano. Coisas do mundo da empreitagem à brasileira.

A Gautama tem sede em São Paulo. Zuleido, embora viva na Bahia, temia a força e o poder da OAS da Bahia, a quem havia servido nos anos em que Collor foi o presidente e PC Farias começou como tesoureiro de campanha.”
Bob Fernandes / Terra Magazine
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