“A promiscuidade entre certos setores da imprensa diária e organizações patrocinadas pelos partidos de oposição ao governo Lula chegou a um ponto de saturação inigualável a qualquer período da República brasileira. O mínimo que se pode dizer é que essa prática é um desrespeito àquela atividade profissional. Para os mais críticos, porém, essa ação prepara terreno para um futuro golpe de Estado.
É possível dizer que no Brasil de hoje o que sustenta a normalidade democrática é o sucesso da economia, que se mantém firme. Se não tivemos grande desenvolvimento econômico, pelo menos nos últimos quatro anos a pobreza diminuiu. Enquanto isso, a classe média, empobrecida por conta de modelos econômicos e políticos praticados por décadas, reclama por uma diminuição do Estado brasileiro, ao mesmo tempo em que pede maior participação do governo na organização social, rumo à diminuição dessas diferenças. Nesse contexto, é preciso analisar a atuação da imprensa na fiscalização e discussão de cada ato desse mesmo Estado, mas, para isso, é preciso um mínimo de seriedade e profissionalismo. É aí que essa promiscuidade apontada acima vira destaque.”
Jair Alves / Observatório da Imprensa
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