A direita e seus simulacros

“A direita sempre busca dissimular a sua essencial vinculação aos privilégios de classe. Quando se vê em perigo iminente, troca a retórica. É o que está ocorrendo agora, no Brasil e alhures. O novo presidente do DEM, partido que vem mudando de nome desde 1965 (quando se chamava UDN), acredita que a aposentadoria de Antonio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen fará seu partido oscilar da direita para a esquerda, e ocupar o centro. O jovem Rodrigo Maia não compreendeu, ainda, que são as idéias e os interesses que organizam os partidos, não são os partidos que fazem os interesses e as idéias dos eleitores. Em nosso país, as idéias raramente habitam a mente dos condutores das organizações partidárias, quase todas vinculadas aos interesses corporativos. De qualquer forma, há uma marca registrada no grupo a que pertence o parlamentar carioca, e esta marca é a do conservadorismo. Mas também parcelas da esquerda brasileira estão constrangidas em aceitar o neoliberalismo como inevitável, e inclinar-se para a direita.”
Mauro Santayana / Jornal do Brasil
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